quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Parabéns pra você

Festa de criança. Ou pior: fim de festa de criança. Não, não dá pra imaginar nada pior. O cenário é aterrador, ao melhor estilo filme-catástrofe de Hollywood. E eu lá, entre brigadeiros pisoteados – ainda bem que eu salvei alguns pra comer mais tarde –, decoração das meninas superpoderosas aos pedaços espalhada pelo chão e muito (mas muito mesmo) refrigerante derrubado pelas mesas fazendo papinha com os restos de sanduíche.

O que é que eu ainda estou fazendo aqui? Sei lá. Já podia ter ido embora, mas parei pra olhar o fim da festa. E ali, no meio daquela mixórdia eu comecei a prestar atenção nos balões. Não sei por que, chamou a minha atenção um balão bem cheio ao lado de um outro, esse já murchando.

Não é engraçado como um balão de aniversário pode ser uma metáfora da vida? Ou do amor, se preferir. Fica ao gosto do freguês. Porque a vida, e o amor por conseqüência, são assim, balões que começam cheios de todos os tipos de coisa: expectativas, tesão, felicidade, desejo, promessas, energia, força, coragem, alegria, sonho, vontade, etc. Pequenas porções de gás hélio.

Às vezes enchemos demais nosso balão e ele estoura antes da hora. Ou não. Ou era a hora exata. Mas o fato é que balão que não estoura vai murchar. Isso é certo. Porque todas as coisas minguam com o tempo e o gás vai escapando aos poucos, a gente nem percebe; é bem devagarzinho mesmo que a vida se vai. O amor junto. Ou vice-versa.

Penso isso no momento em que uma menina pega um dos balões cheios e começa a apertar. Ai, ai, coloco a mão no ouvido, vai estourar. Mas não, ela se desinteressa e o larga no chão. Não era a hora. Então a menina olha para o balão murcho por um instante e segue adiante correndo pelo salão com a sola do tênis forrada de brigadeiro esmagado. Ninguém se interessa pelo balão murcho, nem por nada que esteja se esvaindo.

É fim de festa. Vou pra casa comer meus brigadeiros.

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